Dicas de Viagem Atualizado em 20 de agosto de 2026 por Tatiana Holanda Quezado

Longe dos grandes centros, festivais literários reúnem milhares de pessoas para discutir e consumir literatura. Em Caxias do Sul, o III Festival Internacional do Leitor Quindim espera 80 mil visitantes até domingo (23), com mais de 170 atividades e 900 estudantes de escolas públi

Festivais literários têm se firmado como espaços de encontro e visibilidade, mesmo longe dos grandes centros. Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, o III Festival Internacional do Leitor Quindim reúne, até domingo (23), leitores, escritores, ilustradores, editores, revisores e livreiros em uma programação que movimenta o mercado de livros e altera a rotina da cidade. A expectativa é receber 80 mil pessoas ao longo de 12 dias, com mais de 170 atividades, entre rodas de conversa, sessões de autógrafos e contação de histórias.

Idealizado pelo escritor Volnei Canônica, o festival nasceu pequeno, com a preocupação de interiorizar o diálogo sobre literatura, muitas vezes centrado no Sudeste e nas capitais. "Quando a gente pensou em fazer um festival, a ideia era como trazer para o interior, como poderíamos fazer esse deslocamento de grandes nomes que pensam a literatura no Brasil para dialogar com esse público diverso", afirmou Canônica, que acrescentou: "Começamos a construir um festival que era pequeno, depois a segunda edição se tornou bem maior e essa terceira edição conseguimos transformar em internacional". Há convidados do Chile, do Equador, da Colômbia e do Irã.

A programação estendida, de 12 dias, é uma escolha deliberada. "Quando a gente faz um evento que não é de dois, três dias, mas de 12, é porque queremos que reverbere essa questão da leitura na sociedade", explicou o organizador. Um dos destaques é a Caravana do Leitor Quindim, que levará 900 estudantes de escolas públicas ao evento, para encontros com escritores convidados.

Para autores locais, a interiorização dos festivais abre portas. A escritora Maya Falks, nascida em Caxias do Sul, vencedora do Prêmio Vivita Cartier em 2021 e com mais de 30 livros publicados, disse que nunca teve acesso a grandes eventos. "Eu não tenho acesso aos grandes eventos, não é muito simples entrar em grandes editoras. Então, eu publico por editoras pequenas", afirmou. Ela escreve desde criança: o primeiro romance aos 7 anos, inspirado na Turma da Mônica, e aos 14 já tentava publicar seu primeiro livro de poesias.

Elaine Cavion, também escritora de Caxias do Sul, autora de obras como Tempo de Navio e O Colecionador de Águas, destacou que os encontros fortalecem as redes de leitura. "Um encontro com o autor e o ilustrador é um momento em que o livro se abre, em que o público em geral conhece de onde veio aquele texto", disse. Ela defende maior diversificação do mercado editorial, para furar "essa bolha tão central, às vezes, que o Brasil mantém no meio editorial".

O festival segue até domingo (23). "Ninguém sai perdendo nessa história. Isso que é o mais mágico de um festival dessa natureza. Todo mundo sai daqui melhor do que entrou", disse Maya Falks.

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