Uma exposição no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, celebra o Ano Cultural Brasil-China com peças que contam séculos de troca entre os dois países. A curadoria reúne desde porcelanas da dinastia Ming até obras de artistas brasileiros contemporâneos, em um diálogo que at
Na semana em que a China e o Brasil completam 50 anos de relações diplomáticas, uma exposição no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, monta uma ponte de porcelana entre os dois países. A mostra celebra o Ano Cultural Brasil-China com peças que vão de uma tigela azul e branca da dinastia Ming a uma instalação de videoarte do artista carioca Jota Mombaça. O curador, o historiador chinês Li Wei, disse, na abertura: "A porcelana é o fio que liga nossos oceanos."
A exposição reúne mais de 200 peças, entre porcelanas da dinastia Ming (1368-1644), mapas antigos, fotografias do início do século XX, obras de artistas brasileiros contemporâneos e documentos diplomáticos originais, como o tratado de 1974 que estabeleceu as relações entre os dois países, sob custódia do Arquivo Nacional. A curadoria é dividida em cinco eixos: navegações, comércio, arte, ciência e diplomacia, que se desdobram em salas temáticas.
A porcelana como testemunha
A primeira sala, "Navegações", exibe mapas portugueses do século XVI que registram a rota de Lisboa a Macau. Ao lado, uma ânfora de cerâmica chinesa do século XV, recuperada de um naufrágio na costa de Moçambique, mostra como a porcelana já viajava antes de a China e o Brasil se conhecerem oficialmente. "A porcelana era lastro nos navios, mas também era mensagem", escreveu o historiador português João de Barros, em 1552, citado na legenda da peça.
Na sala "Comércio", uma vitrine reúne caixas de chá do século XVIII, lacas e sedas que chegavam a Salvador e Recife via Portugal. Um documento da Alfândega do Rio de Janeiro, de 1808, registra a entrada de "trinta caixotes de porcelana azul" vindos de Cantão. O comércio entre os dois países cresceu exponencialmente no século XIX, quando a China se tornou o principal fornecedor de chá para o Brasil.
Arte contemporânea em diálogo
A terceira sala, "Arte", é a mais surpreendente. O curador Li Wei convidou cinco artistas brasileiros e cinco chineses para criar obras inéditas em resposta às peças históricas. A artista chinesa Zhang Xiaogang recriou uma série de retratos de família em porcelana, com rostos borrados, que dialogam com as fotografias de imigrantes chineses no Rio de Janeiro no início do século XX. Já o brasileiro Maxwell Alexandre pintou um mural de 12 metros com referências ao carnaval e à caligrafia chinesa, intitulado "Samba e Dragão".
A sala "Ciência" exibe instrumentos de navegação chineses, como uma bússola do século XVII, e mapas astronômicos que mostram como astrônomos chineses e portugueses colaboraram no século XVIII para cartografar o céu do hemisfério sul. Um telescópio do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, de 1920, completa a seção história da astronomia no Brasil.
Diplomacia em papel
A última sala, "Diplomacia", reúne documentos que contam a história oficial das relações Brasil-China. O destaque é o tratado de 1974, assinado em Brasília, que estabeleceu relações diplomáticas entre os dois países. Ao lado, uma fotografia de 1984 mostra o então presidente João Figueiredo apertando a mão do líder chinês Deng Xiaoping, durante a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro à China.
A mostra também exibe uma carta de 1912, do diplomata brasileiro Rio Branco, propondo a abertura de um consulado em Xangai. A proposta foi aceita em 1915, mas o consulado só abriu em 1920, com a nomeação do cônsul Carlos de Carvalho.
Visitação e programação paralela
A exposição fica em cartaz de 10 de agosto a 10 de dezembro de 2026, no Museu Histórico Nacional, na Praça Marechal Âncora, no Rio de Janeiro. A entrada é gratuita às quartas-feiras; nos demais dias, o ingresso custa R$ 20. A mostra tem visitação guiada aos sábados, às 11h, com intérprete de libras.
A programação paralela inclui palestras, oficinas de caligrafia chinesa e exibição de filmes. No dia 15 de setembro, o curador Li Wei ministra a palestra "Porcelana e Diplomacia: 50 anos de relações Brasil-China", no auditório do museu. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do museu programação do Museu Histórico Nacional.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo dura a visitação?
A visita guiada dura cerca de 1h30. A visita livre pode levar de 2 a 3 horas.
A exposição é gratuita?
A entrada é gratuita às quartas-feiras. Nos demais dias, o ingresso custa R$ 20.
Há estacionamento no local?
O museu não dispõe de estacionamento. A área tem vagas rotativas nas ruas ao redor.
A mostra tem audiodescrição?
Sim, a exposição oferece audiodescrição em português e mandarim, disponível por QR code nas salas.
Posso fotografar as obras?
Sim, é permitido fotografar sem flash. O uso de tripé requer autorização prévia.
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