Destinos Nacionais Atualizado em 07 de julho de 2026 por Sônia Vargas Pimentel

A família da escultora Conceição dos Bugres, ícone da arte popular mato-grossense, apresenta suas obras no Rio de Janeiro pela primeira vez. A mostra reúne peças que contam a história de uma mulher que transformou a madeira em testemunho de sua terra.

Família da escultora Conceição dos Bugres apresenta suas obras no Rio

Pela primeira vez, o Rio de Janeiro recebe uma exposição dedicada à obra de Conceição dos Bugres, a escultora mato-grossense que transformou tocos de madeira em personagens da cultura popular. A mostra, organizada por seus netos e bisnetos, reúne cerca de 40 peças inéditas, entre esculturas, desenhos e documentos pessoais, no Museu de Arte do Rio (MAR) de 15 de junho a 30 de agosto de 2026, com entrada gratuita aos domingos.

Quem foi Conceição dos Bugres

Conceição Freitas da Silva, conhecida como Conceição dos Bugres, nasceu em 1914 em Rosário Oeste, Mato Grosso. Começou a esculpir na década de 1940, usando facão e faca para dar forma a pedaços de cerne de árvores nativas como aroeira e cedro. Suas figuras, mulheres de saia rodada, homens de chapéu, animais do cerrado, foram batizadas de "bugres" por ela mesma, termo que ressignificou com afeto. "Eu faço bugre porque bugre é bonito", dizia, segundo relato de familiares.

O que a exposição no Rio traz de novo

A curadoria é assinada por sua neta, a artista plástica Marina dos Bugres, que selecionou obras do acervo familiar nunca exibidas publicamente. Entre os destaques, uma série de 12 esculturas que Conceição fez entre 1978 e 1982, período de maior produção. Também há fotografias de sua oficina em Rosário Oeste e um vídeo caseiro de 1985, onde ela aparece entalhando enquanto canta. A mostra ocupa duas salas do MAR, totalizando 200 metros quadrados.

A técnica e os materiais

Conceição não usava lixa. A textura áspera da madeira era proposital, cada peça mantinha marcas de facão, como assinatura. As tintas vinham de pigmentos naturais: urucum para vermelho, jenipapo para preto, barro branco para claro. arte popular brasileira Ela secava as peças ao sol por até três meses antes de esculpir, técnica que evitava rachaduras. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tombou parte de seu acervo em 2018, Conceição produziu cerca de 1.200 peças ao longo da vida.

O legado da família

Após sua morte, em 1998, a família criou a Associação Cultural Bugres de Rosário, que hoje mantém um pequeno museu na cidade. Os netos aprenderam a técnica com ela e continuam produzindo, mas em menor escala. "A mão da vó era única", disse Marina dos Bugres em entrevista ao jornal O Globo em maio de 2026. A exposição no Rio é também um esforço para documentar e preservar a memória da escultora, cuja obra foi tema de livro da editora Cobogó em 2024.

Onde ver as obras

Museu de Arte do Rio (MAR), Praça Mauá, 5, Centro. De quarta a segunda, das 10h às 17h. Entrada gratuita aos domingos. Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia). A mostra fica em cartaz até 30 de agosto de 2026.

Perguntas Frequentes

Quem foi Conceição dos Bugres?

Conceição Freitas da Silva (1914-1998) foi uma escultora autodidata de Mato Grosso, conhecida por suas figuras em madeira chamadas de "bugres".

Onde está a exposição da família de Conceição dos Bugres no Rio?

No Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, Centro, de 15 de junho a 30 de agosto de 2026.

Quantas peças estão na exposição?

Cerca de 40 peças inéditas, entre esculturas, desenhos e documentos pessoais.

A exposição é gratuita?

A entrada é gratuita aos domingos. Nos outros dias, custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Quem fez a curadoria da mostra?

A neta da escultora, Marina dos Bugres, que é artista plástica.

Como Conceição dos Bugres fazia suas esculturas?

Usava facão e faca para entalhar cerne de árvores como aroeira e cedro, sem lixar, e tingia com pigmentos naturais.

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