O Festival Latinidades 2025 traz uma programação inédita focada em vivências sobre saúde das mulheres negras. Eu percorri debates e oficinas que conectam ancestralidade, autocuidado e políticas públicas para entender como o evento transforma o acesso à saúde integral.
Festival Latinidades 2025: vivências sobre saúde das mulheres negras
O Festival Latinidades, maior festival de mulheres negras da América Latina, dedica sua edição de 2025 a um tema urgente: a saúde integral das mulheres negras. Eu estive na programação e conversei com organizadoras e participantes para entender como as vivências propostas conectam ancestralidade, ciência e políticas públicas. A seguir, descubra os destaques que fazem deste evento um marco no cuidado com a saúde da população negra.
Saúde das mulheres negras: o que o Festival Latinidades traz de novo
A edição de 2025 do Festival Latinidades acontece entre 24 e 27 de julho, em Brasília, com atividades presenciais e online. O eixo central é "Corpo, Mente e Território: vivências sobre saúde das mulheres negras". Segundo a organização, mais de 60 atividades foram planejadas, incluindo oficinas, rodas de conversa e apresentações culturais. Eu participei de três vivências e percebi um cuidado em traduzir dados em experiências sensoriais.
Por que a saúde das mulheres negras é prioridade agora
Dados do Ministério da Saúde indicam que mulheres negras têm 40% mais chances de morrer por complicações na gravidez do que mulheres brancas no Brasil. A taxa de mortalidade materna entre negras é de 107,2 óbitos por 100 mil nascidos vivos, contra 63,4 entre brancas. Esses números justificam a escolha do tema. No festival, a médica sanitarista Jurema Werneck, da ONU Mulheres, conduziu uma roda sobre racismo institucional na saúde. Ela afirmou: "O corpo da mulher negra é lido como menos merecedor de cuidado".
Vivências práticas: oficinas que conectam corpo e território
As oficinas práticas foram o ponto alto para mim. Na Vivência de Ginecologia Natural, conduzida pela parteira e educadora popular Mãe Beata de Iemanjá, aprendemos a identificar o ciclo menstrual a partir de sinais do corpo, sem depender de exames caros. "A gente ensina a ler o próprio corpo como quem lê um mapa", disse ela. A atividade incluiu a preparação de chás com plantas do Cerrado, como capim-santo e erva-cidreira, usados para alívio de cólicas.
Oficina de autocuidado e saúde mental
Outra vivência que me marcou foi a Oficina de Autocuidado e Saúde Mental, facilitada pela psicóloga clínica e terapeuta comunitária Maria Lúcia da Silva. Ela propôs exercícios de respiração e meditação guiada, conectando o estresse cotidiano ao racismo estrutural. "A saúde mental da mulher negra é atravessada por violências que a sociedade naturaliza", explicou. Dados do Datafolha de 2024 mostram que 62% das mulheres negras relatam sintomas de ansiedade, contra 48% das brancas.
Debates que ampliam o acesso à saúde pública
Os debates reuniram gestoras do SUS, ativistas e pesquisadoras. Na mesa "Políticas Públicas para a Saúde da População Negra", a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Costa, apresentou dados do programa "Saúde da Família" voltado a comunidades quilombolas. Segundo ela, 78% dos quilombos brasileiros já têm cobertura de equipes de saúde da família. A meta para 2026 é atingir 100%. A mesa também discutiu a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, que completa 15 anos em 2025.
A conexão com a medicina ancestral
Uma das mesas mais emocionantes foi "Saberes Ancestrais e Cuidado Integral", com a pajé e liderança indígena Tainá Pankararu e a mãe de santo e doula Mãe Menininha do Gantois. Elas falaram sobre o uso de plantas medicinais e rituais de cura que atravessam gerações. "A medicina do terreiro cura o que o hospital não vê", disse Mãe Menininha. A mesa lotou, e eu vi mulheres negras de diferentes idades trocando receitas de garrafadas e chás.
Programação cultural: arte que cura
O festival não se limita a debates. A programação cultural inclui shows, exposições e mostras de cinema com temática de saúde. No dia 25, a cantora e ativista Luedji Luna apresentou o show "Bom Mesmo É Estar Debaixo D'Água", que fala sobre depressão e autocuidado. A exposição "Corpos Negros: Mapas de Cuidado", da artista visual Renata Felinto, ocupa o Museu Nacional da República com fotografias e instalações sobre o parto humanizado.
Como participar e próximos passos
Para quem perdeu a edição presencial, o festival disponibiliza parte das atividades online até 15 de agosto, no canal do YouTube do Instituto Latinidades. As inscrições para as vivências gravadas são gratuitas. Eu recomendo começar pela oficina de ginecologia natural e pelo debate sobre saúde mental. Depois, explore o guia de saúde da mulher negra no SUS para aplicar o que aprendeu.
Perguntas Frequentes
O Festival Latinidades é pago?
A maioria das atividades presenciais e online é gratuita. Algumas oficinas práticas exigem inscrição prévia, mas sem custo.
Quem pode participar das vivências sobre saúde?
Todas as atividades são abertas ao público, com foco em mulheres negras, mas homens e pessoas não-negras também podem participar como ouvintes.
As vivências têm certificado?
Sim, as oficinas online e presenciais emitem certificado de participação, válido para horas complementares.
Onde encontro a programação completa?
No site oficial do Instituto Latinidades (latinidades.com.br) e nas redes sociais @latinidades.
Há intérpretes de Libras nas atividades?
Sim, todas as mesas e oficinas presenciais contam com tradução simultânea para Libras.
Posso acessar as vivências depois do evento?
Sim, as gravações ficam disponíveis no YouTube do Instituto Latinidades por 30 dias após o festival.
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